sexta-feira, junho 12, 2009

Jojo na terapia

Meu psiquiatra/tio convesou comigo sobre meu desejo de escrever e perguntou com que frequência eu escrevia. Hehe, não muita, como vocês bem sabem.
Então ele me passou um dever de casa que consistia no seguinte: escrever com um pseudônimo sobre como foi nossa última sessão.
Aí, aproveitando para quebrar o hiatus do blog, vou colocá-lo aqui.

"Não consigo lembrar detalhadamente da sessão de sexta-feira, mas sei que o assunto principal foi novamente meu sentimento interno de fracasso. Fracasso diante de diversos aspectos da minha vida. Não consigo me conformar com o atraso com que entrei na universidade, comparado com meus amigos. A falta de reciprocidade nos meus casos amorosos me revolta. Sou eternamente a errada da minha família. É muito difícil manter o bom ânimo, menos quando estou com meus amigos, não permito que minha negatividade os afete, pelo menos me esforço para que isso não aconteça.

Durante a sessão, conversamos sobre uma das matéria que estou fazendo esse semestre na UnB, chamada Fundamentos da História Literária. Nunca vivienciei experiência mais frustante do ponto de vista acadêmico.

No ensino médio, eu possuia genuína dificuldade com ciências exatas e quase entrei de recuperação no 2o e 3o ano com física. Mas essa matéria atual me causa melancolia mais profunda. Eu amo ler. Sempre achei que minha memória para com livros fosse consideravelmente boa. Mas nessa matéria, eu não consigo deixar de ser uma aluna mediana. Temos que ler um livro por semana e responder perguntas detalhadas sobre esses livros. Eu queria tanto ser exepcional nessa matéria tão difícil, teria me ajudado a me conformar com meus tantos outros fracassos.

Conversando com meu tio/psiquiatra, externei minha inveja pelos alunos que se destacam nessa matéria e como eu gostaria de ser bem vista pelo professor.

Acredito que para ser uma boa escritora, é preciso ser uma boa leitora. Bons leitores absorvem detalhes, bons escritores, criam detalhes. A sensação que tenho é que todos os meus colegas e monitores que se saem melhor nessa matéria, serão escritores muito melhores do que eu.

Mas em um determinado momento, fiquei surpresa com o comentário de meu tio. Ele conhece meu professor e disse algo que eu jamais havia pensando. Meu professor foi um homem que leu muito, muito mais do que pessoas sonham. Mas pouco realmente escreveu e publicou. Não posso desejar ser como ele, senão não alcançarei meus objetivos.

É estranho ter um psiquiatra que já fez parte da minha família e conhece tanto do meu mundo, sem eu precisar explicá-lo. Acho que foi de grande ajuda ele conhecer o Gilson Sobral, permitiu que a minha imagem do professor fosse menos idealizada. Isso também acontece quando falamos dos meus parentes mais próximos. Ele sabe como minha mãe me tratava quando criança, como é o temperamento difícil do meu pai, como minha avó pode ser cruel sem perceber. Considero isso bom, é um conforto dentro do consultório. Ao mesmo tempo, consegue criar pensamentos capciosos na minha cabeça. Penso na minha tia Marta algumas vezes e nos meus primos, Carolina e Felipe. No que eles pensariam se soubessem de algumas coisas que meu tio diz ou faz. Nada grave, graças a Deus, mas não consigo deixar de sentir como certas situações se tornam bizarras.Por fim, estou realizando uma tarefa que meu tio designou. Escrever sobre a última sessão que tivemos. Criei um pseudônimo para isso. Jojo é um personagem de uma animação britânica de conteúdo melancólico mas belo, então considerei apropriado."


E gente, esse texto não tem valor literário, então sintam-se livres para achar uma droga.

Essa é a animação:http://www.youtube.com/watch?v=irm6E_UbaZA

(não consegui colocar aqui diretamente, deu algum problema de html, que obviamente eu não entendo).

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1 Comentários:

Blogger O Autor Do Submundo disse...

Velho, deu para enxergar a sua alma como se ela fosse transparente.
Eu não sabia que você queria ser escritora, escritora, eu pensava que sei lá, só eu tivesse esse sonho estranho. Quero ser escritor desde que eu aprendi o bê-a-bá.
Deve ser muito bom ter um tio psicólogo. Eu quero fazer faculdade de psicologia algum dia: ter 50 anos e viver de ouvir e ajudar pessoas.

6:59 PM, agosto 28, 2009  

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